Segundo os bombeiros, é a trilha com mais resgates no Rio; não suba a Carrasqueira sem corda nem com a rocha molhada.
A Pedra da Gávea é um monólito de granito e gnaisse de 844 m (842 m em parte das fontes) no Parque Nacional da Tijuca, entre São Conrado e a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A trilha tem cerca de 7 km de ida e volta, mais de 800 m de desnível e leva de 5 a 8 horas. O ICMBio a classifica como pesada: além da subida forte na mata, ela inclui a Carrasqueira, uma laje de cerca de 30 m que exige escalar, com corda recomendada. A entrada é gratuita, o setor abre das 8h às 17h e só é permitido começar a subida até as 14h. Do platô do cume se vê de São Conrado à Barra da Tijuca, o Morro Dois Irmãos e, no horizonte, a Serra dos Órgãos.
Onde fica e como chegar à Pedra da Gávea?
A Gávea fica no Setor C do Parque Nacional da Tijuca, o mesmo da Pedra Bonita, a rampa de voo livre vizinha. A trilha começa no fim da Estrada do Sorimã, na região conhecida como Barrinha, entre São Conrado e a Barra da Tijuca. A portaria fica junto a um portão verde; guias de trilha indicam como referência o número 936 da estrada.
De carro. Há vagas ao redor da pracinha no fim da estrada e na rua de acesso, mas elas acabam cedo nos fins de semana. Chegue antes das 8h, quando o parque abre. Dentro do parque, a velocidade máxima para veículos é 30 km/h.
De metrô e aplicativo. A estação Jardim Oceânico, na Barra, fica a cerca de 4 km da portaria, e o trecho final pode ser feito de carro por aplicativo.
De ônibus. O parque orienta o uso de transporte público até a Barrinha. Há linhas que passam pelo Itanhangá, perto da Barrinha; confira o itinerário atualizado antes de sair.
Como é a trilha da Pedra da Gávea?
A trilha oficial, chamada de via Carrasqueira, é sinalizada e tem de 3,5 a 3,7 km da portaria ao cume. A subida leva de 2h30 a 4 horas, e a descida, perto de 1h30, mais o tempo de espera, porque a Carrasqueira costuma ter fila nos dois sentidos.
Primeira hora: mata fechada. Os primeiros 40 minutos são de subida contínua na Mata Atlântica, com degraus de raízes. Logo no começo há uma bifurcação para a Cachoeira do Sorimã, que fica mais agradável na volta e seca entre maio e agosto. Depois vêm as primeiras escalaminhadas, lances em que é preciso usar as mãos, apoiando em raízes e troncos, e uma pedra escorregadia equipada com grampos de ferro e cabo de aço.
Pedra do Navio e Geladeira. A Pedra do Navio forma uma pequena gruta e o primeiro mirante, voltado para a Barra da Tijuca. Mais acima fica a Geladeira, área sombreada onde existe uma nascente; ela pode secar, então não planeje o reabastecimento contando com ela. Seguem a Praça da Bandeira e o Mirante da Laje, já com vista aberta.
Trecho exposto antes da Carrasqueira. A trilha estreita e passa ao lado de um precipício, à direita de quem sobe. É o primeiro aviso do que vem pela frente.
A Carrasqueira. É uma laje inclinada de cerca de 30 m (há quem fale em 40 m), quase vertical em alguns pontos, sem degraus naturais. Guias a descrevem como uma escalada fácil, de primeiro grau, mas com exposição grande: um escorregão aqui não tem onde parar. A corda comporta uma pessoa por vez, e nos fins de semana se forma fila na base. Muita gente prefere descer de rapel. O ICMBio recomenda que pelo menos uma pessoa do grupo tenha experiência em escalada e que o grupo leve corda, cadeirinha, mosquetões e fitas.

Do alto da Carrasqueira ao cume. Mais escalaminhadas levam a pontos com nomes próprios, como o Portal de Agartha, o Vão Central e a Cabeça do Imperador, até chegar ao platô. O ponto mais alto é a Pedra da Pirâmide. Perto dali fica a Cadeirinha, uma borda sobre uma queda vertical de mais de 200 m, sem nenhuma proteção. Do platô se vê São Conrado, a Barra, o Morro Dois Irmãos, a Floresta da Tijuca, a Serra dos Órgãos e, em dia limpo, a Ilha Grande.
O que é a via do Pico dos Quatro (P4)?
É um caminho alternativo, sem sinalização oficial, que sai da trilha principal cerca de 15 minutos depois da portaria. É mais íngreme e tem mais sombra, passa pela Garganta do Céu (uma fenda na rocha que enquadra São Conrado e o Morro Dois Irmãos, a uns 2 km do início) e tem lances com corda em vários pontos. Leva mais tempo, perto de 8 horas no total. Guias costumam subir pelo P4 e descer pela Carrasqueira de rapel. Não é rota para fazer sem quem conheça o caminho.

Quando ir à Pedra da Gávea?
A melhor época vai de abril a setembro, quando o calor é menor e chove menos. Saia cedo em qualquer estação: a trilha é longa, e o limite para começar a subir é 14h.
O fator decisivo é a rocha. Com chuva recente, a Carrasqueira e as lajes da subida ficam escorregadias, e a escalada se torna perigosa mesmo com corda. No verão, entre dezembro e março, o calor na laje exposta e as pancadas de chuva no fim da tarde pesam; nessa época o parque permite sair até as 18h, mas a portaria continua fechando a entrada às 14h. Evite também dias de neblina densa, quando o caminho no alto fica confuso.
Quais são as regras, taxas e exigências de guia?
As regras vêm do Parque Nacional da Tijuca, administrado pelo ICMBio, e estão no Protocolo Operacional da Visitação, atualizado em fevereiro de 2026:
- Horário: o setor funciona todos os dias, das 8h às 17h. No verão, a saída é permitida até as 18h.
- Início da trilha: só até as 14h, regra em vigor desde 16 de abril de 2024. Os horários podem mudar em caso de tempo severo.
- Entrada gratuita.
- Pernoite proibido, pelo risco de acidente e para proteger plantas raras do cume.
- Animais domésticos proibidos. Também são vedados fogueiras, velas, som alto e bicicleta na trilha.
Guia não é obrigatório. O parque recomenda evitar grupos com mais de 10 pessoas, ter no grupo pelo menos uma pessoa com experiência em escalada e subir com guia ou caminhante experiente, levando corda. O equipamento de segurança (cadeirinha, corda, mosquetões, fitas) é "fortemente recomendado". O visitante é responsável pela própria segurança. Para informações e denúncias, o parque atende pelo e-mail parnatijuca@icmbio.gov.br; para montanhismo e escalada, indica a FEMERJ.
O que levar para a Pedra da Gávea?
- Água: pelo menos 2 litros por pessoa; agências recomendam 3 litros no verão.
- Comida para o dia todo: o percurso pode passar de 8 horas.
- Tênis ou bota com sola aderente. A sola faz diferença na Carrasqueira.
- Equipamento de escalada, se o grupo não for com guia: corda, cadeirinha, capacete, mosquetões, fitas e alguém que saiba montar a segurança.
- Lanterna de cabeça, para o caso de a descida atrasar.
- Protetor solar, boné e repelente.
- Corta-vento leve para o platô, que é exposto ao vento.
- Celular carregado e o número 193 (Corpo de Bombeiros).
É seguro subir a Pedra da Gávea?
É seguro para quem está preparado e respeita os próprios limites; para quem chega despreparado, é a trilha mais arriscada da cidade. Reportagens que citam o Corpo de Bombeiros apontam a Gávea como o local com mais ocorrências de resgate em trilhas da capital, e a maioria dos acidentes acontece na Carrasqueira ou perto dela. A página oficial do parque registra que já houve mortes nos trechos verticais expostos.
Os riscos concretos são estes:
- Queda na Carrasqueira. Subir ou descer sem corda é o erro mais grave. Se a rocha estiver molhada, volte.
- Bordas sem proteção. A Cadeirinha e outros mirantes do alto não têm guarda-corpo. Fotos na beira não valem o risco.
- Desidratação e exaustão. Muita gente subestima a subida na mata e chega à Carrasqueira já cansada, que é a pior hora para escalar.
- Atraso. Fila na Carrasqueira, ritmo lento e descida longa fazem o grupo terminar no escuro. Defina um horário-limite para estar no cume e volte se não chegar até lá.
- Ir sozinho. Não vá. Avise a alguém o roteiro e o horário de retorno, e pergunte na guarita quantas pessoas estão subindo no dia. Relatos de trilheiros citam assaltos na região; evite andar isolado.
Qual é a história da Pedra da Gávea?
O nome vem da expedição portuguesa de 1501–1502, comandada por Gaspar de Lemos e com Américo Vespúcio a bordo. Os navegadores avistaram a pedra em 1º de janeiro de 1502 e a acharam parecida com a gávea, o cesto de vigia no alto do mastro. O nome passou depois ao bairro da Gávea. Os tamoios a chamavam de Metaracanga, segundo o Vocabulário na Língua Brasílica, do século 16.
A geologia explica a forma. O topo é uma capa de cerca de 150 m de granito, com idade estimada em 450 milhões de anos, sobre uma base de gnaisse de cerca de 600 milhões de anos. O granito resiste mais à erosão que o gnaisse, e essa diferença esculpiu o domo íngreme. A erosão também desenhou o "rosto" que muita gente vê numa das faces e as marcas do lado oposto, já descritas como uma inscrição fenícia. Geólogos atribuem as duas coisas à erosão; nos anos 1950, o Ministério da Educação e Saúde afirmou que a suposta inscrição era apenas desgaste natural da rocha.
As primeiras trilhas foram abertas por lavradores da região por volta de 1830, data que o parque também dá para as primeiras expedições ao cume. A pedra é tombada pelo Iphan, e o Parque Nacional da Tijuca a descreve como o maior monólito à beira-mar do mundo.

A vizinha Pedra Bonita é uma das rampas de voo livre mais movimentadas do mundo e tem trilha curta, de cerca de 20 minutos, que pode começar até as 16h. Dela se tem uma das melhores vistas da face da Gávea, e ela é uma boa opção para quem ainda não está pronto para a Carrasqueira.
O que combina com a Pedra da Gávea?
- Pão de Açúcar: trilha do Morro da Urca e escalada: o outro monólito famoso do Rio, com o Costão como primeira escalada.
- Pedra do Macaco, em Maricá: trilha curta e íngreme na Região Metropolitana, com vista para lagoas e o mar.
- Dedo de Deus, em Teresópolis: o próximo passo para quem tomou gosto por escalada em montanha.
Fotos



Perguntas frequentes
A trilha da Pedra da Gávea é perigosa?
É a trilha mais exigente do Rio e a que mais gera resgates, segundo reportagens que citam o Corpo de Bombeiros. O risco se concentra na Carrasqueira, uma laje de cerca de 30 m que exige escalar, e o parque recomenda corda, cadeirinha e alguém com experiência em escalada no grupo.
Precisa de guia para subir a Pedra da Gávea?
Não é obrigatório por lei, mas o ICMBio recomenda ir com guia ou com alguém experiente e levar corda. Sem experiência em escalada, contratar um guia é a escolha sensata.
Quanto tempo leva a trilha da Pedra da Gávea?
A ida e volta leva de 5 a 8 horas, conforme o ritmo e a fila na Carrasqueira. O parque estima cerca de cinco horas em média.
Até que horas posso começar a trilha da Pedra da Gávea?
Até as 14h. O setor funciona das 8h às 17h, com saída permitida até as 18h no verão, segundo as regras do Parque Nacional da Tijuca em vigor desde abril de 2024.
Quanto custa subir a Pedra da Gávea?
A entrada no setor Pedra da Gávea é gratuita. O custo aparece só se você contratar guia ou alugar equipamento.
Qual é a altura da Pedra da Gávea?
Entre 842 m e 844 m, conforme a fonte. O desnível da trilha passa de 800 m, porque ela começa perto do nível do mar.
Onde começa a trilha da Pedra da Gávea?
No fim da Estrada do Sorimã, na Barrinha, entre São Conrado e a Barra da Tijuca, ao lado da guarita do Setor C do Parque Nacional da Tijuca.
No mapa
-22.9990, -43.2830 · 844 m
Fontes
- 01Pedra da Gávea: Parque Nacional da Tijuca · Parque Nacional da Tijuca (ICMBio)
- 02Novas regras de visitação no Parque Nacional da Tijuca · Parque Nacional da Tijuca (ICMBio)
- 03Pedra Bonita: Parque Nacional da Tijuca · Parque Nacional da Tijuca (ICMBio)
- 04Pedra da Gávea · Wikipédia
- 05Pedra da Gávea: guia completo da trilha mais difícil do Rio de Janeiro · Vamos Trilhar
- 06Trilha Pedra da Gávea: preciso de guia? É difícil? Quantos km? · Mala de Aventuras
Publicado em 11 de outubro de 2026. Regras de parques e taxas mudam: confirme com o órgão responsável antes de ir. Capa: Donatas Dabravolskas, CC BY-SA 4.0.




