O regulamento manda deixar o cume até as 14h. Com chuva forte o parque não autoriza a subida, e a neblina esconde as bifurcações.
O Pico do Itambé tem 2.052 m segundo o IEF (o IEPHA registra 2.060 m), é tratado pelo governo de Minas como o ponto culminante da Serra do Espinhaço e fica no Parque Estadual do Pico do Itambé, entre Santo Antônio do Itambé, Serro e Serra Azul de Minas, no centro-norte de Minas Gerais. A subida não exige equipamento, mas é longa e íngreme. Pela rota de Santo Antônio do Itambé são 6,4 km de estrada e 5,85 km de trilha a partir da portaria, cerca de 4 horas de subida e perto de 1.200 m de desnível. Pela rota de Capivari, no Serro, a trilha encurta para 2,35 km, mas é mais íngreme. A entrada é gratuita, mas o pico só pode ser visitado com autorização prévia do parque, e há um abrigo no cume para 15 pessoas.
Onde fica o Pico do Itambé e como chegar?
O parque protege 6.520 hectares, segundo o IEF, nos municípios de Santo Antônio do Itambé, Serro e Serra Azul de Minas, no divisor das bacias do Jequitinhonha e do Doce. Há duas portas de entrada.
Santo Antônio do Itambé. É o acesso principal. De Belo Horizonte, o IEF indica a MG-010 sentido Serro até Santo Antônio do Itambé; o trajeto tem perto de 250 km pelo traçado do OpenStreetMap. Na cidade, suba a Ladeira Nazaret até a Rua Hidelbrando J. Ribeiro e siga as placas. A portaria fica a cerca de 2,7 km do centro, por estrada de terra, segundo relato de 2019. Não há linha de ônibus até a portaria; a Viação Serro atende Serro, Santo Antônio do Itambé e Serra Azul de Minas.
Capivari (Serro). Pela BR-259 até o Serro e depois pela estrada de Milho Verde até o distrito de Capivari. O ponto de partida mais usado, o Poço Preto, fica cerca de 7 km depois do povoado, e só se chega de carro por estrada de terra. Em 2019, Capivari oferecia hospedagem e refeições em casas de moradores, num esquema de turismo comunitário.
Como as saídas são cedo, durma em Santo Antônio do Itambé, no Serro ou em Capivari na véspera.
Como é a trilha do Pico do Itambé?
O IEF publica distâncias e tempos para as duas rotas:
| Rota | Estrada | Trilha | Tempo de subida | Dificuldade (IEF) |
|---|---|---|---|---|
| Santo Antônio do Itambé | 6,4 km | 5,85 km | cerca de 4 h | média |
| Capivari (Serro) | 13 km | 2,35 km | cerca de 2 h | alta |
Pela rota de Santo Antônio do Itambé
Da portaria, os primeiros 6,4 km seguem por estrada interna. O relato de 2019 do blog Chico Trekking descreve esse trecho até a antiga casa do Sr. Joaquim Moacir, hoje em ruínas, como estrada de 4x4; quem não tem transporte faz tudo a pé, o que eleva o total para cerca de 24,5 km ida e volta. A trilha passa pela antiga casa, que tem água, pela Lapa do Morcego e pelos Panelões, a primeira fonte abaixo do cume, e cruza a Ponte Pênsil Rebentão a cerca de 1 km do topo. No mesmo relato, o desnível desse lado aparece como cerca de 1.200 m. O caminho é sinalizado nos pontos críticos, mas tem várias bifurcações com estradas vicinais.
Pela rota de Capivari
A rota de Capivari é a mais curta e a mais vertical. Pelo relato de 2019, a trilha deixa a estrada vicinal pouco depois do Poço Preto e tem num riacho, na altura do km 2,4, a última água segura antes do topo. Na divisa do parque havia um guarda-parque. A partir de cerca de 5 km do início, começa o trecho muito íngreme, com cascalho, degraus e passagens por baixo e por cima das rochas, sem necessidade de equipamento técnico. O desnível desse lado fica perto de 800 m. Uma placa perto do topo marca 15,9 km até Capivari.

O cume e o abrigo
O topo é uma área rochosa ampla e irregular, com vegetação arbustiva e vista de 360 graus. Em dia limpo dá para ver o Pico Dois Irmãos, no Parque Estadual do Rio Preto, e a Serra do Gavião. O abrigo de montanha, uma construção antiga reformada pelo parque, recebe até 15 pessoas por noite em estilo bivaque, e não é permitido montar barraca do lado de fora. Em 2019 o abrigo tinha um ponto de luz e uma tomada. A água do cume vem de uma fonte numa gruta entre as rochas, que pode estar amarelada e secar no inverno.
A travessia entre Santo Antônio do Itambé e Capivari, passando pelo pico, é permitida. Há ainda a Trilha dos Tropeiros, com 11,99 km entre as duas portarias, e a travessia longa até o Parque Estadual do Rio Preto, que exige autorização específica.
Quando ir ao Pico do Itambé?
O IEF recomenda abril a outubro. De novembro a março, as trilhas podem estar fechadas, e em dias de chuva forte o parque normalmente não autoriza a travessia, o pernoite nem a subida ao cume. Mesmo na estação seca, a neblina pode fechar o topo de uma hora para outra, como registra o relato de julho de 2019, e o sol do meio-dia nos campos rupestres é forte. O frio no cume, à noite, pede saco de dormir de verdade.
Quais são as regras, taxas e exigência de guia?
As regras estão na Portaria IEF nº 136/2017, alterada pela Portaria IEF nº 67/2022:
- Entrada: gratuita.
- Funcionamento: de quarta a segunda-feira e nos feriados, das 8h às 17h, com entrada até as 16h30. Fecha às terças para manutenção.
- Autorização: obrigatória para o Pico e para a Trilha dos Tropeiros, agendada com antecedência pelo e-mail peitambe@meioambiente.mg.gov.br. Antes de começar, todos assinam na portaria o Termo de Responsabilidade e o Termo de Conhecimento de Riscos.
- Limites: 70 pessoas por dia no pico e 15 por pernoite, contando guias e carregadores. Não há pernoite às segundas-feiras.
- Horários de saída: de Santo Antônio do Itambé, entre 6h e 12h para visita diária e entre 6h e 14h para pernoite; de Capivari, entre 8h e 12h. O horário limite para deixar o cume é 14h.
- Menores: até 15 anos, sempre acompanhados; de 15 a 18 anos, desacompanhados só com autorização expressa dos responsáveis.
- Guia: não é obrigatório pelas normas publicadas. Para quem não conhece a rota, guia local reduz o risco de erro nas bifurcações.
- Animais domésticos: não são permitidos.
O que levar para o Pico do Itambé?
- Comprovante da autorização e documento com foto.
- Pelo menos 2 litros de água por pessoa e recipiente para reabastecer nas fontes do caminho.
- Comida para o dia todo; quem dorme no abrigo leva fogareiro e jantar.
- Saco de dormir e isolante, se for pernoitar.
- Agasalho e corta-vento para o cume, chapéu e protetor solar para os campos abertos.
- Lanterna de cabeça.
- Bota com boa aderência e bastões para o cascalho da descida.
- Trilha gravada no GPS ou no celular, com mapa offline.
Quais são os riscos do Pico do Itambé?
Desorientação. As duas rotas cruzam estradas vicinais e têm bifurcações; na descida pelos lajeados, o caminho pode confundir. Com neblina, pare e confira o GPS antes de seguir. O parque monitora a área e alerta contra entrar sem autorização.
Horário. O limite de saída do cume às 14h garante que a descida termine com luz do dia. Quem atrasa a subida deve voltar antes do topo.
Calor e água. Os campos rupestres têm pouca sombra, e entre o último riacho e o topo a água pode faltar. Abasteça em todas as fontes.
Chuva. Em dias de chuva forte o parque normalmente não autoriza a subida. Nos campos abertos, tempestade traz risco de raios: desça ao primeiro sinal de trovoada. Em emergência, ligue 193 e avise a portaria.
Qual é a história do Pico do Itambé?
O nome vem do tupi, em que ita significa pedra. Por ser visível de muito longe, o pico serviu de referência a sertanistas e exploradores que cruzaram a região no ciclo do diamante e, no século 19, a naturalistas estrangeiros, segundo o IEPHA. Foi chamado de "teto do sertão mineiro" e chegou a ser considerado o ponto mais alto do estado nos primeiros tempos de Minas Gerais.
O Pico do Itambé é tombado pelo estado desde 1989, por meio do artigo 84 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição mineira, e também aparece como sítio geomorfológico na lista do SIGEP, a comissão brasileira de sítios geológicos. O parque estadual foi criado pelo Decreto nº 39.398, de 21 de janeiro de 1998, com cerca de 4.700 hectares, e hoje soma 6.520 hectares, segundo o IEF.
A altitude varia conforme a fonte: 2.052 m no IEF, 2.060 m no IEPHA e 2.002 m no OpenStreetMap e na Wikipédia em inglês. O título de ponto mais alto do Espinhaço também tem disputa: IEF e IEPHA o atribuem ao Itambé, enquanto a Wikipédia aponta o Pico do Sol, na Serra do Caraça, com 2.070 m, por incluir o Caraça na mesma cordilheira. A vegetação é de campo rupestre, cerrado e matas de altitude, com canelas-de-ema, orquídeas, bromélias e pequenas plantas carnívoras. Entre os animais ameaçados que vivem no parque estão a onça-parda e o lobo-guará.
O que combina com o Pico do Itambé?
- Travessia Lapinha–Tabuleiro, na Serra do Cipó: uma das travessias mais conhecidas do Espinhaço, com o mesmo tipo de campo rupestre.
- Pico do Itacolomi, em Ouro Preto: outro marco histórico das rotas do ouro em Minas, com subida mais curta.
- Serra do Caraça e Pico do Sol, em Catas Altas: cume de mais de 2.000 m no sul do Espinhaço.
Fotos




Perguntas frequentes
Precisa de autorização para subir o Pico do Itambé?
Sim. A Portaria IEF nº 67/2022 exige autorização específica do parque para o Pico e para a Trilha dos Tropeiros, pedida com antecedência pelo e-mail peitambe@meioambiente.mg.gov.br, e assinatura do termo de responsabilidade na portaria.
Quanto custa para visitar o Pico do Itambé?
Nada. A entrada no Parque Estadual do Pico do Itambé é gratuita. Guias e carregadores são contratados à parte e entram na contagem do limite de visitantes.
Quanto tempo leva a subida do Pico do Itambé?
Pela rota de Santo Antônio do Itambé, o IEF estima cerca de 4 horas para 12,2 km entre estrada e trilha. Pela rota de Capivari, no Serro, são cerca de 2 horas e 2,35 km de trilha, depois de 13 km de estrada.
Qual é a altitude do Pico do Itambé?
O IEF informa 2.052 m e o IEPHA, 2.060 m. O OpenStreetMap e a Wikipédia em inglês registram 2.002 m. Os órgãos mineiros o chamam de ponto culminante do Espinhaço, mas a Wikipédia dá o posto ao Pico do Sol, no Caraça, com 2.070 m.
Dá para dormir no topo do Pico do Itambé?
Sim, no abrigo de montanha do cume, com capacidade para 15 pessoas por noite, incluindo guias e carregadores. O pernoite precisa ser agendado e não é marcado às segundas-feiras.
Em que dia o Parque do Pico do Itambé fecha?
Às terças-feiras, para manutenção. Se a terça for feriado, o fechamento passa para o primeiro dia útil seguinte ou outra data definida pela gerência.
Qual a melhor época para subir o Pico do Itambé?
De abril a outubro, na estação seca. De novembro a março as trilhas podem estar fechadas, e em dias de chuva forte o parque costuma não autorizar a subida, o pernoite ou a travessia.
No mapa
-18.3989, -43.3491 · 2.052 m
Fontes
- 01Parque Estadual do Pico do Itambé · IEF-MG
- 02Portaria IEF nº 67, de 2 de setembro de 2022 (normas de visitação do PEPI) · IEF-MG / SIAM
- 03Pico do Itambé: bem tombado · IEPHA-MG
- 04Travessia do Pico do Itambé (relato de julho de 2019) · Chico Trekking
- 05Pico do Itambé · Wikipédia
- 06Serra do Espinhaço · Wikipédia
- 07Pico do Itambé State Park · Wikipedia
- 08Pico do Itambé (nó do OpenStreetMap, altitude e posição do cume) · OpenStreetMap
- 09Rota de carro Belo Horizonte–Santo Antônio do Itambé (OSRM) · OpenStreetMap
Publicado em 11 de outubro de 2026. Regras de parques e taxas mudam: confirme com o órgão responsável antes de ir. Capa: Paulogcarvalho, CC BY-SA 4.0.




