A descida em rapel é o trecho mais perigoso; com chuva, neblina ou rocha molhada, não suba.
O Pico do Forno Grande, com 2.039 m segundo o IEMA, é o cume mais alto do Espírito Santo fora da Serra do Caparaó e fica no Parque Estadual do Forno Grande, em Castelo, na região serrana capixaba. Não é uma trilha comum: são 3,5 km desde o Centro de Visitantes, com trechos muito íngremes, escalaminhada e cerca de 250 m finais de escalada em rocha equipada com chapeletas, com descida em rapel. O IEMA exige agendamento no portal Agenda ES, equipamento de escalada e, para quem não escala com regularidade, guia certificado. São no máximo 20 pessoas por dia, com saídas às 6h ou 6h30 e cerca de 6 horas de atividade ida e volta. A entrada no parque é gratuita.
Onde fica o Pico do Forno Grande e como chegar?
O parque fica na Estrada Rural s/n, no distrito de Forno Grande, município de Castelo, numa área de 913,15 hectares, segundo o IEMA (fontes mais antigas falam em 730 hectares). Fica a cerca de 15 km em linha reta da Pedra Azul, e os dois parques se enxergam: a trilha da Pedra Azul tem um mirante voltado para o Forno Grande, e vice-versa.
De Vitória, o caminho mais usado é a BR-262 até a região de Venda Nova do Imigrante e Pedra Azul, seguindo depois por estradas rurais. O portal turístico Descubra Castelo indica estas distâncias até o parque:
- do centro de Castelo: 32 km pela Fazenda da Prata ou 42 km pelo Limoeiro;
- de Pedra Azul: 28 km, por Alto Caxixe ou São Paulinho do Aracê;
- de Cachoeiro de Itapemirim: 77 km.
O trecho final é de terra. Como as saídas para o pico são às 6h, o recomendado é dormir em Castelo ou no próprio distrito de Forno Grande e evitar chegar de noite, principalmente depois de chuva.
Como é a subida ao Pico do Forno Grande?
O IEMA descreve 3,5 km entre o Centro de Visitantes e o cume, com trechos muito íngremes, e estima 6 horas ida e volta. Os relatos de escaladores dividem o caminho em três partes.
Trilha de aproximação
O primeiro quilômetro é compartilhado com a trilha do Mirante da Pedra Azul e é, na maior parte, uma caminhada em subida sem dificuldade técnica, dentro da mata. Depois, o caminho passa a misturar caminhada, escalaminhada e lances de escalada leve, alguns com corda.
A via de escalada
A parte final tem cerca de 250 m de escalada técnica, toda equipada com chapeletas que substituíram os antigos degraus de ferro, segundo texto publicado no Dia a Dia ES em 2022. São sete paradas duplas, uma a cada 30 m. O mesmo relato aponta a primeira e a quinta enfiadas como as mais difíceis e destaca lances de aderência, em que uma sapatilha de escalada faz diferença. O IEMA não publica a graduação da via; confirme com o guia ou com a Associação Capixaba de Escalada antes de ir.
Na reabertura oficial, em julho de 2019, a equipe fixou mais de 500 m de corda nos trechos delicados, e os convidados sem experiência subiram de cadeirinha, freio e ascensor mecânico, em grupos liderados por escaladores. Um dos participantes, o escalador Naoki Arima, estimou cerca de 3 horas de subida e outras 3 de descida para uma dupla experiente.
Cume e descida
No topo há uma mata de altitude de cerca de 300 m de extensão e um livro de cume guardado numa caixa perto da entrada da mata. Pise só na rocha: a flora do cume é rara e frágil. A descida é feita em rapel pelas paradas da via e é considerada o trecho mais perigoso. A lista de equipamento publicada no Dia a Dia ES pede corda de 60 m.

E quem não escala, o que faz no parque?
As trilhas comuns saem do Centro de Visitantes, são sinalizadas e não pedem agendamento para visitantes individuais. As distâncias abaixo são do IEMA, contadas a partir do Centro de Visitantes:
| Trilha | Distância | Destaque |
|---|---|---|
| Cachoeira do Forno Grande | cerca de 290 m | Queda temporária de 30 m, com água no verão |
| Gruta da Santinha | 710 m | Gruta com imagem de Nossa Senhora Aparecida |
| Poços Amarelos | 1.100 m | Poços de água amarelada pelo ferro |
| Mirante da Pedra Azul | cerca de 2.150 m | Vista da Pedra Azul e da Pedra das Flores; 3h30 ida e volta |
Quando ir ao Forno Grande?
Os meses mais secos, de abril a outubro, são os melhores para escalar na região: no Caparaó, o ICMBio indica esse período como o de menos chuva, e guias da vizinha Pedra Azul apontam novembro a março como a época mais chuvosa. Nesses meses, a rocha molhada torna a via e o rapel bem mais arriscados. O IEMA avisa que a escalada pode ser alterada ou suspensa por chuva ou questão de segurança, e as trilhas comuns também podem fechar com mau tempo. No inverno, leve agasalho: a saída é antes do sol nascer e o cume passa dos 2.000 m.
Quais são as regras, taxas e exigência de guia?
Regras do IEMA para o parque e para o pico, consultadas em outubro de 2026:
- Entrada: gratuita.
- Funcionamento: todos os dias, das 8h às 16h, com acesso às trilhas comuns só até as 14h.
- Trilhas comuns: não exigem agendamento para visitantes individuais e grupos pequenos. Grupos grandes e escolas agendam por e-mail (pefg@iema.es.gov.br), com limite de 30 pessoas.
- Escalada ao pico: agendamento prévio obrigatório no Agenda ES; saídas diárias às 6h e 6h30; limite de 20 pessoas por dia; grupos com mais de 10 integrantes não podem acessar a via.
- Equipamento e guia: equipamento de escalada é obrigatório. Quem não for praticante regular deve contratar guia de escalada com certificação comprovada.
- Termo de Responsabilidade e Reconhecimento de Riscos: deve ser baixado, preenchido e entregue no parque.
- Proibido: animais domésticos, drones, fogo, coleta de plantas e pedras e pichação; caixas de som devem ser evitadas. Não há camping, lanchonete nem restaurante.
O que levar para escalar o Forno Grande?
- Cadeirinha, capacete, freio (ATC), mosquetões, fitas e cordeletes.
- Corda de 60 m e cerca de dez costuras, segundo a lista publicada no Dia a Dia ES.
- Sapatilha de escalada para os lances de aderência, além de bota ou tênis para a aproximação.
- Lanterna de cabeça, porque a caminhada começa cedo.
- Agasalho e anorak para o cume.
- Água e comida para o dia todo: o parque não vende nada.
- Protetor solar e o termo de responsabilidade preenchido.
Quais são os riscos do Pico do Forno Grande?
Rapel e lances expostos. É uma escalada de verdade, com quedas possíveis em vários pontos. Monte o rapel com calma, confira nós de ponta de corda e não improvise ancoragem fora das paradas.
Tempo. Chuva deixa as placas de aderência escorregadias e a neblina esconde a continuação do caminho. O IEMA suspende a atividade quando julga inseguro; respeite.
Caminhos paralelos. Em agosto de 2025, a equipe do parque encontrou lixo descartado e trilhas alternativas abertas por visitantes no acesso ao pico, e pintou marcações nas pedras para indicar o caminho oficial. Siga essas marcas e não corte caminho pela vegetação.
Em emergência, ligue 193 e avise a equipe do parque. Deixe com alguém o horário previsto de retorno.
Qual é a história do Forno Grande?
O nome vem do formato do cume, que lembra os fornos de assar pão usados pelos descendentes de italianos que colonizaram a região no começo do século 20. Quando as nuvens cobrem o topo, diz a tradição local, "Deus está assando pão", e as nuvens são a fumaça do forno.
A área virou Reserva Florestal em outubro de 1960 e Parque Estadual pela Lei nº 7.528, de 1998, segundo o IEMA. Em setembro de 2016, o parque inteiro foi fechado por tempo indeterminado, depois que uma seca longa secou suas nascentes e aumentou o risco de incêndio. O pico em si ficou cerca de 20 anos fechado aos escaladores por causa da fragilidade da vegetação do cume. A reabertura, negociada pela Associação Capixaba de Escalada, veio com a expedição oficial de julho de 2019, que incluiu o governador do estado; a via ganhou chapeletas inox no lugar dos antigos vergalhões.
Sobre a altitude: o IEMA usa 2.039 m, e uma notícia do governo do estado de 2019 citou 2.053 m. O Forno Grande costuma ser chamado de segundo ponto mais alto do Espírito Santo, mas a tabela do IBGE lista ao menos cinco cumes capixabas do Caparaó acima dele, como o Morro da Cruz do Negro (2.658 m) e a Pedra Roxa (2.649 m). O mais exato é dizer que é o mais alto do estado fora do Caparaó.
A mata do cume rende outra história: o naturalista Augusto Ruschi teria afirmado que ali está a maior floresta de altitude do mundo, afirmação repetida localmente sem comprovação publicada. O parque abriga espécies ameaçadas como onça-parda, jaguatirica e o muriqui, também chamado de mono-carvoeiro.
O que combina com o Forno Grande?
- Pedra Azul e as Piscinas Naturais, em Domingos Martins: o parque vizinho, com trilha curta e escalada ao topo também agendada.
- Pico da Bandeira, no Caparaó: o ponto mais alto do Sudeste, sem escalada, a algumas horas de carro.
- Dedo de Deus, em Teresópolis: escalada clássica de montanha para quem gostou da combinação de trilha longa e via técnica.
Fotos




Perguntas frequentes
Precisa de equipamento de escalada para subir o Pico do Forno Grande?
Sim. O IEMA classifica a subida ao cume como escalada em rocha e exige equipamento de segurança. Quem não é praticante regular precisa contratar um guia de escalada com certificação comprovada.
Como agendar a subida ao Pico do Forno Grande?
Pelo portal Agenda ES, no serviço de escalada nos parques estaduais, opção do Parque Estadual do Forno Grande. O limite é de 20 pessoas por dia, e grupos com mais de 10 integrantes não podem acessar a via.
Quanto tempo leva a subida ao Forno Grande?
O IEMA estima cerca de 6 horas ida e volta para os 3,5 km entre o Centro de Visitantes e o cume. Uma dupla experiente leva perto de 3 horas para subir, segundo relato de escalador local.
Qual é a altitude do Pico do Forno Grande?
O IEMA informa 2.039 m. Uma notícia do governo do Espírito Santo de 2019 citou 2.053 m. É o cume mais alto do estado fora da Serra do Caparaó.
Paga para entrar no Parque Estadual do Forno Grande?
Não. A entrada é gratuita. As trilhas comuns, como Cachoeira, Gruta da Santinha e Poços Amarelos, não exigem agendamento para visitantes individuais e grupos pequenos.
Dá para acampar no Forno Grande?
Não. O parque não tem área de camping, lanchonete nem restaurante. Quem vai escalar costuma dormir em Castelo ou no distrito de Forno Grande para chegar às 6h.
Existe opção sem escalada no Parque do Forno Grande?
Sim. A trilha do Mirante da Pedra Azul tem cerca de 2,15 km desde o Centro de Visitantes e leva 3h30 ida e volta, com vista para a Pedra Azul e a Pedra das Flores.
No mapa
-20.5204, -41.1031 · 2.039 m
Fontes
- 01Parque Estadual do Forno Grande · IEMA-ES
- 02Agenda ES: escalada no Parque Estadual do Forno Grande · Governo do Espírito Santo
- 03Termo de Responsabilidade e Reconhecimento de Riscos do PEFG · IEMA-ES
- 04Escaladas ao topo do Forno Grande devem ser marcadas no portal Agenda ES · Governo do Espírito Santo
- 05Expedição marca reinauguração da trilha do Pico do Forno Grande em Castelo · Governo do Espírito Santo
- 06Equipe reforça sinalização para acesso ao Pico do Forno Grande · Governo do Espírito Santo
- 07Missão oficial ao Forno Grande · Naoki Arima
- 08Sobre homens e montanhas: Forno Grande e a floresta mais alta do mundo · Dia a Dia ES
- 09Trilha do Pico do Forno Grande: regras e agendamento · Capixaba da Gema
- 10Parque Estadual do Forno Grande · Descubra Castelo
- 11O que fazer em Pedra Azul: roteiro completo (clima da região) · Mala de Aventuras
- 12Quando ir: Parque Nacional do Caparaó · ICMBio
- 13Anuário Estatístico do Brasil 2024: Pontos mais altos do Brasil (tabela 1.3.2.1) · IBGE
- 14Forno Grande State Park · Wikipedia
Publicado em 11 de outubro de 2026. Regras de parques e taxas mudam: confirme com o órgão responsável antes de ir. Capa: Vitor Jubini/MTur, Domínio público.




